| A era do triunfo da imagem | ||||||||||||||
| Por Olga de Mello, para o Valor, de São Paulo 09/01/2009 | ||||||||||||||
| I | ||||||||||||||
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8.1.09
Valor Econômico - Livros
17.11.08
Valor Econômico - Livros
Valor Econômico - Livros
| Informe-se o menos possível e enxergue o que de fato interessa | |||||||||
| Olga de Mello, para o Valor, do Rio 23/10/2008 | |||||||||
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Alfarrábios - Valor Econômico, Teatro
| Company traz o clima da Brodway aos cariocas 08/02/2001 P0r Olga de Mello, do Rio Ainda computando o sucesso de "Cole Porter - Ele nunca Disse Que Me Amava", campeão de público na temporada carioca de 2000, com cerca de 50 mil espectadores em nove meses, Möeller, que assina a direção, e Botelho contam novamente com Cláudio Magnavita como produtor. |
| Confessando-se um admirador incondicional de musicais, Magnavita manteve-se distante de qualquer decisão no processo criativo da peça. "Crio condições para que cada um desempenhe sua função na montagem. Sempre me espantou o amadorismo da maioria dos produtores no Rio. Há uma pulverização de apoios que levam o patrocínio para o nível de mendicância", diz. |
| "O investimento cultural dá retorno, tanto que nossos patrocinadores são os mesmos de 'Cole Porter': apenas duas companhias, sem necessidade de lojas de tecidos ou restaurantes financiarem figurinos ou refeições. Se começarmos a produzir cultura profissionalmente, é possível tornar o teatro um atrativo turístico, como ocorre em Nova York, onde se deve à Broadway a permanência de visitantes por mais duas noites na cidade", completa. |
| Segundo Botelho, a Broadway pode se dividir em antes e depois de "Company", em razão das mudanças formais e estilísticas que criou, reconhecidas ao ganhar sete prêmios Tony em 1970. A história do solteirão Robert, que passa por dúvidas em relação a seu rumo de vida ao completar 35 anos, foi a junção de cinco peças de George Furth, entremeadas por canções de Sondheim, que discutem casamento, separações e relacionamentos. |
| "É um corte no tempo, a história se desenvolve durante um minuto dentro da cabeça do personagem. Robert se descobre sozinho em seu aniversário e pensa se deve se casar ou permanecer solteiro. Essa peça passou por tantas mudanças em sua concepção que acabou trazendo um novo gênero dentro do musical, o chamado 'concept musical', sem um enredo linear", informa Botelho. |
| A manutenção do título original não foi uma concessão ao apelo mercadológico do idioma inglês, esclarece. "A palavra companhia tem um sentido diferente em português. Para nós, ela remete a estar com alguém ou a uma empresa. Em inglês, ela também é sinônimo de grupo, de elenco. 'Rent' também não virou 'Aluguel' no Brasil", lembra Botelho, que interpreta Robert , à frente de 13 atores, entre eles sua principal parceira de palco, Cláudia Netto. Também participam de "Company" o coreógrafo Renato Vieira, o iluminador Paulo César Medeiros e o estilista Antonio Augustus, que assina os figurinos. |
23.9.08
Revista Aplauso Edição 95

Ensina-me a Viver
Glória Menezes comanda no palco uma celebração à vida
Um jovem mórbido que cultua a morte. Uma mulher às vésperas dos 80 anos, que celebra a vida a cada minuto. O encontro desses personagens antagônicos, que têm encantado platéias do mundo inteiro há três décadas, pode ser conferido pelo público carioca a partir de agosto na Sala Marília Pêra do Teatro Leblon, com Glória Menezes e Arlindo Lopes estrelando Ensina-me a Viver. Para o diretor João Falcão, o inusitado relacionamento entre o depressivo Harold e a anárquica Maude provoca discussões cada vez mais atuais: “Vivemos uma época em que empresas e hospitais promovem cursos de humanização para seus funcionários. A peça remete a reflexões sobre o prazer de viver com a maior intensidade possível, algo que muita gente esquece hoje em dia”.
Na década de 70, a comédia dramática Harold e Maude ganhou o mundo em seu formato cinematográfico, sob direção de Hal Ashby, com Bud Cord e Ruth Gordon nos papéis principais. Em 1982, Diogo Vilella e Henriette Morineau (mais tarde substituída por Maria Clara Machado) interpretaram o casal nos palcos cariocas. O texto do americano Colin Higgins conta a história de Harold, um rapaz rico e depressivo, que gosta de encenar diferentes formas de suicídio para chamar a atenção de sua mãe distante. Ao conhecer a exuberante e libertária Maude, Harold aprende a apreciar a natureza, as pessoas e o mundo.
“Viver Maude, um personagem tão rico e raro para atrizes na minha faixa etária é uma oportunidade única”, diz Glória Menezes, que se inspirou em uma tia-avó para compor a protagonista. “Minha tia era irreverente, casou-se com um homem mais jovem e jamais deu satisfações de sua vida para a família. Ela só não chegava a ser tão libertária quanto Maude, uma mulher solta no mundo, que, ao conhecer Harold, já contabilizava cinco ex-maridos. Combinei o dinamismo de minha tia com a doçura e a meiguice de minha avó Mercedes, outra mulher com uma forma muito especial de encarar o mundo”.
João Falcão e Arlindo Lopes não poupam elogios à atriz – e não apenas pela atuação como Maude. Creditam ao bom humor de Glória o clima alegre de trabalho. “Houve um entrosamento perfeito entre toda a equipe. Glória, certamente, é uma das responsáveis por isso, pois espalha energia positiva. Tê-la à frente do elenco é um privilégio. Sou admirador do trabalho dela em teatro, cinema e em televisão”, diz João Falcão.
Arlindo Lopes, idealizador do projeto, confessa a tensão que sentiu ao convidar Glória para o espetáculo. Ele havia adquirido os direitos da peça em 2003 e já tinha conseguido que João Falcão concordasse em dirigir. Sabia que Glória tinha interesse em interpretar Maude e que já pensara em produzir uma montagem. “Deu um frio na barriga, mas Glória não só aceitou como se tornou sócia na produção”. Era o início de uma bem-sucedida temporada de oito meses em São Paulo. O texto original, traduzido por Millôr Fernandes, não sofreu muitas alterações.
“É uma trama simples, mas que não ficou datada. O jovem Harold é soturno como muitos adolescentes de hoje, que parecem padecer de uma eterna inadequação à vida. Maude, ao contrário, é esfuziante como uma garota de 80 anos. O envolvimento amoroso entre os dois ainda causa espanto e até indignação, mas o que a peça mais remete é a indagações sobre o significado da vida através de Maude, uma mulher que domina a própria vida e também as platéias”, diz João Falcão. Glória Menezes concorda que o romance não é o ponto mais importante do enredo, e sim a possibilidade de transformação que todos deveriam permitir em suas vidas. “Qual jovem não gostaria de conviver com um adulto que vive de acordo com suas próprias regras? O personagem é simbólico, mas o público se identifica com essa mulher que decide até o dia de sua morte”, afirma Glória.
O fascínio que Maude exerce é constatado a cada espetáculo pela equipe. “Muita gente moça chega para nós e diz que querem envelhecer com a sabedoria dela. O mundo está cheio de jovens parecidos com o Harold e senhoras semelhantes a Maude”, acredita Arlindo Lopes.
19.9.08
Valor Econômico - Teatro
| Na companhia do silêncio | ||||||||||||||||
| Por Olga de Mello, para o Valor, do Rio 19/09/2008 | ||||||||||||||||
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4.9.08
Valor Econômico - Livros

Trabalho, razão para estar bem ou enlouquecer
Olga de Mello, para o Valor
O semblante sereno e o modo de falar tranqüilo do americano Joshua Ferris contrastam com o estilo sarcástico escolhido por ele para descrever a angústia de um grupo de publicitários ameaçados de demissão em seu aclamado romance de estréia "E Nós Chegamos ao Fim". Escrito na primeira pessoa do plural, para enfatizar o conceito de corporação, tão cultivado pelas grandes companhias, o livro já foi lançado em 20 países e tem conquistado elogios da crítica pelo retrato satírico, mas nem por isso pouco realista, do mundo corporativo. Um universo do qual Ferris se afastou há sete anos, com algum pesar. "Não imaginava quanto escrever é solitário. Eu gostava das conversas nos intervalos para tomar café. Essa interação acabou para mim. Hoje, meu escritório é em casa, onde só meu gato me interrompe", disse o escritor ao Valor, no Rio, onde esteve para o lançamento do livro.
Ao deixar o ambiente estressante das grandes companhias, Ferris quis expor um momento de transição - quando a cultura "yuppie" é assombrada pela crise das empresas pontocom. O livro mostra o esforço que os empregados fazem para manter-se no seleto círculo dos assalariados bem-remunerados, enquanto refletem sobre a individualidade que a cultura corporativa alardeia que devem esquecer, apesar da rotina altamente competitiva. Ao mesmo tempo em que lamentam a demissão dos colegas, cada um procura mostrar-se necessário à empresa, com tiradas supostamente brilhantes durante as reuniões da equipe.
Formado em literatura e filosofia, Ferris, de 34 anos, sabia que não combinava com a agitação movida a cafeína da vida corporativa - só toma bebidas descafeinadas e se espantou ao constatar que não eram oferecidas pelo restaurante em Copacabana onde deu a entrevista. Antes de dedicar-se inteiramente à literatura, Ferris teve uma experiência curta no magistério e foi redator de publicidade em duas agências em Chicago. O livro, afirma, não é autobiográfico, nem conta fielmente o que observou em uma das agências, onde houve corte de mais de um terço dos empregados, após o estouro da bolha da internet.
"Depois do 11 de setembro houve uma redução no ritmo de dispensas. Os atentados abalaram emocionalmente todos os setores da sociedade americana. No entanto, a vida corporativa sofre fenômenos cíclicos. Vivemos agora uma nova crise econômica em um universo corporativo descentralizado, com empresas de cartão de crédito prestando atendimento telefônico em países asiáticos, a custos inferiores aos que as companhias teriam se tivessem funcionários em suas sedes. Meu livro se situa em um momento imediatamente anterior ao atual", disse Ferris.
Os publicitários com salários astronômicos de "E Nós Chegamos ao Fim" apresentam alterações severas de comportamento frente ao temor da demissão. Há o demitido que insiste em voltar ao escritório diariamente, a chefe "workaholic" que trabalha na véspera de uma cirurgia de câncer, o colega que copia páginas de livros em xerox para ler durante o expediente, fingindo estar ocupado com material de trabalho.
"Todos os personagens são fictícios. Eu queria falar sobre aquela tensão, sobre o drama daquelas pessoas, para as quais o emprego significa mais do que contracheque e benefícios. O emprego é uma extensão deles, a empresa é vista quase como uma família. Eles não imaginam um futuro fora daquela realidade, da cultura de otimismo que a corporação lhes passou. O trabalho corporativo dá a sensação de que se é integrante de alguma coisa, como se sente quem freqüenta uma igreja. A perda desse status gera situações estressantes e humilhantes, além de provocar atos desatinados. O que muita gente não percebe é que o próprio trabalho, algumas vezes, leva as pessoas à loucura", comenta Ferris.
Nascido em uma cidade no interior do Illinois e criado na Flórida, Ferris vive atualmente em Nova York. Em sua primeira viagem ao Brasil, ele também participou da Bienal Internacional do Livro de São Paulo. Interessou-se pelo país quando se apaixonou por uma jovem brasileira, há cerca de 20 anos. "Eu era muito romântico, tinha 15 anos. Ela estava fazendo intercâmbio, mas a família que a hospedava era muito severa e não queriam nossa aproximação. Durante o curto período em que nos aproximamos, tentei aprender um pouco de português e sempre senti uma ligação especial com o país."
