15.5.09
Valor Econômico - Teatro
Por Olga de Mello, para o Valor, do Rio
15/05/2009
Teatro: Fernanda Montenegro, Bibi Ferreira, Cleyde Yáconis, Beatriz Segall e Sérgio Britto formam elenco estelar de artistas que mantêm a vitalidade com presença constante nos palcos
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A partir de outubro, a atriz Fernanda Montenegro passará a integrar um elenco seleto de astros e estrelas nacionais, um time de artistas que ao chegar à casa dos 80 anos mantêm uma vitalidade incomum nos palcos do país. Além de Fernanda, que na quinta-feira estreia "Viver sem Tempos Mortos" em São Paulo, estão em cartaz Bibi Ferreira, de 86 anos, Cleyde Yáconis, 85, Sérgio Britto, 85, e Beatriz Segall, 82. Com biografias que se confundem com a história do teatro brasileiro, todos eles se amparam em boas condições de saúde, disciplina rígida e imenso desejo de experimentar. Alguns chegam a se aventurar por um circuito que ultrapassa as fronteiras do confortável eixo Rio-São Paulo e percorrem o Brasil: apresentam-se em festivais ao lado de quem começa hoje a trilhar seus caminhos, cativam novas plateias e abraçam um público fiel que não se limita a acompanhá-los pela televisão. Não por acaso, a agenda desses veteranos que emendam temporadas de sucesso é sempre repleta de compromissos.
"Viver sem Tempos Mortos", espetáculo que Fernanda apresentará no palco do Sesc Consolação, é um monólgo sobre a vida da escritora e feminista francesa Simone de Beauvoir (1908-1986). A atriz já levou a peça a cidades do interior do Rio e promoveu debates com o público depois das apresentações. Dirigida por um dos mais talentosos encenadores da nova geração, Felipe Hirsch, de 37 anos, Fernanda concebeu o projeto Caminhos da Liberdade, que incluía o contato direto com o público, além de exposição e exibição de documentários sobre Simone e a presença do ator Sérgio Britto como o filósofo Jean-Paul Sartre. O inesperado sucesso de Britto com "Ato Sem Palavras nº 1/A Última Gravação de Krapp", duas peças curtas de Samuel Beckett, levaram-na a seguir sozinha na empreitada.
"Queria mostrar uma pequena parte do esforço dos artistas até o momento em que se abre o pano", afirma Fernanda, que no espetáculo recorre a depoimentos da própria Simone de Beauvoir, extraídos de livros e cartas. "Pensar a cultura é uma militância. Sou de uma geração pós-guerra, que se pronunciava, que ia às ruas para pensar e sentir. Devemos refletir sobre o nosso cotidiano cada vez mais saturado de esperanças reduzidas pela falta de inteligência e pela brutalidade."
Atriz de grandes montagens teatrais como "As Lágrimas Amargas de Petra von Kant", de Rainer Werner Fassbinder (1945-1982), e "Fedra", de Jean Racine (1639-1699), Fernanda credita o entusiasmo experimentado aos 59 anos de carreira aos anticorpos desenvolvidos pelas carências que acometem o teatro brasileiro.
"Na época em que bilheteria rendia, vivíamos melhor. Somos de uma geração que não dependia da comissão do governo, que sempre tem comprometimentos políticos. Sobrevivíamos a tudo quanto era infecção", afirma a atriz, que tem na bagagem de premiações um Urso de Prata em Berlim por sua interpretação em "Central do Brasil", pelo qual foi indicada para o Oscar. "Prosseguimos, mesmo com patrocínios que não cobrem as despesas de produção porque o prazer de abraçar um trabalho por vocação já faz ganhar alguns anos de vida. Deve ser uma tortura alguém descobrir tardiamente, quando não há mais volta, que gostaria de ter feito outra coisa", diz.
A um mês de completar 87 anos, Bibi Ferreira também não olha para sua longa carreira com essa angústia da frustração. A decana da geração de ouro do teatro nacional mantém um vigor invejável e se reveza entre a comédia "As Favas com os Escrúpulos", de Juca de Oliveira, e as viagens Brasil afora com o musical "Piaf", que encena desde a década de 80. Apresenta-se em festivais de teatro e leva o espetáculo para festas como a que abriu, em Ouro Preto, as comemorações do Ano da França no Brasil. Não faz planos para o futuro. Sabe que nele está, certamente, "Piaf", uma exigência do público.
"É impressionante o poder das canções de Piaf. Boa parte da plateia não entende a letra, mas quer ouvir. Fiz tantos musicais que, quando Juca [de Oliveira] me entregou a comédia, imaginei que teria um descanso", afirma Bibi, com seu bom humor habitual. "Juca sempre dizia que ia escrever uma peça para mim. E como escreveu! São 70 páginas para a minha personagem. Nunca falei tanto em cena. E, depois de dois anos, continuamos em cartaz", comenta a atriz, que interpreta a mulher de um político corrupto, arrancando gargalhadas e sendo aplaudida em cena aberta em quase todas as apresentações.
Já é parte da lenda do teatro a estreia de Bibi no teatro com menos de um mês de idade, na peça "Manhãs de Sol", de Oduvaldo Vianna (1892-1972). A recém-nascida entrou em cena porque a boneca que fazia o bebê no espetáculo estava quebrada. Profissionalmente, Bibi só voltou ao palco adolescente, ao lado do pai, Procópio Ferreira (1898-1979), ainda sem saber que sua vida seria no teatro.
"Como qualquer mocinha, eu estudava piano e um francês aguado, só para enfeitar a vida. Não passava nada por minha cabeça. Talvez pretendesse cantar. Saía para dançar, tinha amigos, namorado. Mas era uma grande plateia", relembra Bibi. A atriz assistia a uma grande variedade de espetáculos que chegava ao Rio. Eram muitas companhias portuguesas, italianas, algumas peças de Jean-Louis Barrault (1910-1994), de Dulcina de Morais (1908-1996). "Aprendi teatro com Henriette Morineau [1908-1990], com Procópio. A paixão veio depois, quando descobri a beleza de uma carreira em que se entra em contato direto com a humanidade."
Quase 70 anos mais tarde, Bibi sente que o tempo correu rapidamente enquanto encarnava mulheres sofridas como Joana, a Medeia contemporânea de "Gota d'Água", a esforçada Eliza Doolittle em "My Fair Lady" ou a musa de Dom Quixote, Dulcineia, em "O Homem de La Mancha". A música é seu território de conforto, porém não descuida da palavra falada nem do domínio técnico no qual apoia a interpretação. De preferência sem microfones, para não relaxar e perder o brilho da atuação. Cumpre à risca o que exige dos atores que dirige. "Deixar-se levar pela emoção é um risco. A voz pode fraquejar. Atores são atletas da palavra, precisam proferi-la em alto e bom som."
Sérgio Britto, que estreia nesta semana em São Paulo, no Sesc Santana, é um bom exemplo de atleta da palavra nas duas peças de Beckett. Sua interpretação enérgica lhe rendeu o Prêmio Shell 2008. Essa, porém, será a última oportunidade para o público vê-lo fora dos palcos cariocas. "Quem quiser me ver, terá que ir para minha cidade. Estou na idade de fazer o que me agrada", afirma. Ele lembra que não foi fácil chegar ao nível atual. Na década de 50, ele e Sérgio Cardoso desfizeram uma das companhias que fundaram depois de falir - não por falta de público, mas pelo atraso no repasse do patrocínio governamental.
"Sou de uma geração que lutou muito pelo esplendor que o teatro brasileiro conheceu nas décadas de 50 e 60. Participei de companhias importantes, ao lado de Fernanda, de Fernando Torres [1927-2008], Ítalo Rossi [78 anos], Paulo Autran [1922-2007] e Nathalia Thimberg [que completa 80 anos em agosto]. O teatro é o que me determina. Ele sustenta, injeta vida. Então, a gente reclama, briga e insiste. E aí vêm surpresas como esta boa receptividade ao Beckett, o que demonstra que há um público interessado em qualidade", diz Britto, que se formou em medicina, mas nunca clinicou.
A medicina também estava nos sonhos da paulista Cleyde Yáconis, 85 anos. "Minha vocação é para a ciência, mas meu talento é para a arte", costuma repetir Cleyde, que abraçou o teatro em 1950, ao substituir uma atriz adoentada na companhia que tinha como maior estrela sua irmã, Cacilda Becker (1921-1969). Acabou conquistada de vez pelo palco, aprendendo a atuar no Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), ao lado de Cacilda, Sérgio Cardoso (1925-1972), Paulo Autran e Zbigniew Ziembinski (1908-1978). Aceitar o dom natural que não pediu a levou à busca por textos reflexivos, mesmo quando faz comédia.
"Não sou religiosa, porém senti que deveria retribuir ao público por esta aptidão que não pedi", diz Cleyde, há mais de um ano à frente do elenco de "O Caminho para Meca", de Athol Fugard, que já teve temporadas em São Paulo, Rio e Belo Horizonte. Continuará a viajar com a peça até setembro, quando começa a ler novos textos, mesmo sabendo que no segundo semestre deve fazer televisão, a convite de Sílvio de Abreu, que pretende escalar Cleyde e Britto para viverem um casal em sua próxima novela. Em 2002, os dois já eram casados em cena na montagem de "Longa Jornada de um Dia Noite Adentro", de Eugene O'Neill (1888-1953), sob direção de Naum Alves de Souza, quando ganhou por sua brilhante atuação o penúltimo prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte. Tem mais cinco. Acumular trabalhos não a assusta.
"Vivi uma época em apresentávamos dez sessões por semana, com duas récitas às quintas-feiras, três no sábado. No dia de folga, eu ainda tinha dublagem de filmes para a televisão. Aquilo, sim, era puxado. Hoje, fazemos dez espetáculos por mês. Eu preciso do teatro, ele é precioso e essencial para me manter presente, viva. A única coisa que realmente temos é o trabalho. Ele é a sua alma, seu espírito, sua cabeça", afirma Cleyde.
Sem nostalgia, Beatriz Segall vê o amadurecimento como libertação de imposições e compromissos aborrecidos. Hoje, diz que tem crédito para cometer "pequenas loucuras". Entre elas a desistência de produzir espetáculos. "Estou vivendo a época mais feliz da minha vida, algo que só senti quando meus filhos nasceram", conta a atriz. "A alegria do artista é saber que sua aposentadoria será sentida pelo público. Continuo sendo chamada para o palco. Mas correr atrás de subvenção, inscrever projeto em Lei Rouanet, isso é passado para mim", diz Beatriz, que até o fim deste mês estará no Teatro Eva Herz da Livraria Cultura, em São Paulo, com o monólogo "A Senhora das Cartas", de Alan Bennett. Depois, pretende voltar a encenar alguma peça de Edward Albee. "Tudo depende de alguém decidir montar e se lembrar de mim", brinca.
Longe de se identificar com a obsessão pela boa forma, uma onda iniciada na década de 70, os artistas da geração 80 encaram os exercícios físicos como parte do preparo exigido para quem se entrega ao palco. Parte da disposição para viver personagens densos como a artista plástica que luta com preconceitos em "O Caminho para Meca" Cleyde atribui a hábitos regrados. "Não fumo, não bebo e não como carne, por opção mesmo. Não gosto do sabor. Minha dieta é à base de grãos. E depois de uma certa idade passei a fazer alongamento e musculação em casa", revela.
A coluna, vez por outra, incomoda Bibi Ferreira, exigindo sessões de fisioterapia. É o preço para quem faz questão de subir ao palco em desconfortáveis saltos altos. "Levo uma vida sadia, até idiota. Sou muito pacata, caseira, gosto de ficar lendo. Nunca fumei nem bebi. Acho que isso facilita para a disposição para, na mesma semana, ir a Palmas, no Tocantins, descer para o Espírito Santo, seguir até Ribeirão Preto, voltar para o Rio, fazendo dois espetáculos diferentes", observa Bibi, que ingere um coquetel de vitaminas "de todas as letras do alfabeto", além de preocupar-se em poupar a voz. Como Cleyde Yáconis, não concede longas entrevistas na semana em que estreia espetáculos.
"Depende da resistência física, mas também da cabeça o tipo de vida que temos aos 80 anos. Facilita muito ser apoiada por médicos que me acompanham há tanto tempo que me sinto quase casada com eles", brinca Bibi.
Beatriz Segall sente falta da hidroginástica quando sai em turnê pelo país. "As mulheres deixam os homens para trás na longevidade, na atividade. É que elas vão de encontro à idade, se preparam para enfrentar a vida", observa. Sérgio Britto rendeu-se à ginástica depois da sétima pneumonia. Não adoeceu mais. "Minha geração não tinha esse costume, sequer conheceu a expressão corporal. Só uma vez treinei pantomima. Agora, faço musculação e danço", diz o ator, que aparece sem camisa em cena durante o "Ato Sem Palavras nº 1".
Isabel Cavalcanti, que dirige Britto nas duas peças de Beckett, admira a seriedade e o desprendimento do ator, que a convidou para o espetáculo. O trabalho fluiu com harmonia em ensaios diários de apenas três horas. "Ele é disciplinado, chega na hora com o texto decorado. Respeita o público e a companhia."
Para Felipe Hirsch, que dirige Fernanda Montenegro, em "Viver sem Tempos Mortos", a geração de artistas que passou dos 80 anos "é capaz de tudo". Quando dirigiu o último trabalho em teatro de Paulo Autran, então com 85 anos, conheceu a empolgação de um ator entusiasmado como um estreante pelo trabalho.
"Com Fernanda também é assim. A paixão do iniciante está dentro deles, que se entregam ao teatro com a empolgação de amadores. Minha função é encontrar o ponto em que se escondem essas sensações."
23.4.09
Valor Econômico - Livros
Lei é lei, exercer direitos é coisa bem diferente
| Olga de Mello, para o Valor, do Rio 23/04/2009 |
I |
| "Histórias de um Superconsumidor" - Marcos Dessaune. Fundo de Cultura, 286 páginas A legislação de defesa do consumidor é eficaz, mas permanece pouco utilizada, por comodismo, descrença na Justiça e temor de represálias. Quem diz isso é o advogado Marcos Dessaune, especialista em qualidade de atendimento, autor de "Histórias de um Superconsumidor", em que relata 35 casos de dificuldades em compras ou serviços vivenciadas por ele mesmo ou por pessoas próximas. "A cultura do conformismo ainda impera no Brasil", lamenta Dessaune, que chama de superconsumidores não os consumistas inveterados, mas quem conhece os princípios que regem as relações comerciais, algo claramente definido pelo Código de Defesa do Consumidor. "Aos poucos, o brasileiro aprende a exercer seus direitos", reconhece Dessaune, lembrando que o Código de Defesa do Consumidor está em vigor há 18 anos. O principal entrave para a reclamação seria a "cultura do deixa disso". "A pessoa pensa duas vezes se vale a pena se aborrecer ou passar por constrangimentos. Isso se fundamenta no ceticismo do brasileiro. Ninguém acredita na Justiça, nem em instâncias inferiores. Processos judiciais, na verdade, estariam na última etapa de qualquer desentendimento entre fornecedor e consumidor. Tudo pode ser resolvido sem interferência da Justiça. Basta que as duas partes conheçam direitos e deveres." Se as mudanças têm sido muito tímidas ao longo das últimas duas décadas, é por desconhecimento das leis, acredita Dessaune. "O errado passou a ser regra. Some-se a isso um comodismo arraigado em nossas tradições, e ninguém se mexe por seus direitos, exceto quando é um caso de desrespeito que cause indignação. Dos mais de 30 casos que apresento no livro, apenas 4 foram discutidos em juízo. Quis mostrar algumas experiências próprias, com as quais qualquer um se identifica, pois todo mundo já viveu algo semelhante, em lojas, aeroportos, restaurantes, fazendo compras pela internet." Hoje, antes mesmo que o consumidor reclame, boa parte das empresas já se adianta em cumprir a lei, lembra o advogado. Isso, por que respeitar o consumidor agrega valor à imagem das companhias, da mesma maneira que a proteção ao ambiente e a responsabilidade social. "Quando uma fábrica de automóveis faz 'recall', demonstra preocupação com sua clientela. Atitudes de transparência, humildade, boa-fé e honestidade sempre são bem recebidas pelo público." Mesmo assim, abusos persistem, como a falta de troco em estabelecimentos comerciais que oferecem balas ou caixas de fósforo para compensar o cliente pela perda de centavos. Um dos casos do livro aconteceu com a mulher de Dessaune. Cansada de receber balas como troco em uma padaria, ela decidiu utilizar as guloseimas como moeda para pagamento de mercadoria. "Foi uma solução criativa e definitiva. Ela levou as compras pagando em balas. E nunca mais recebeu troco em balinhas." Dessaune lamenta que tais iniciativas sejam individuais: "Seria preciso que todos os consumidores se unissem contra esse tipo de prática, para que ela não se repetisse." Ainda hoje, quem reclama pode ser visto como criador de caso, diz o advogado, que não se incomoda com as críticas. "Está na hora de pensarmos que não somos encrenqueiros, e sim que estamos exercendo plenamente nossa cidadania. Isso acontece fora do Brasil, principalmente na Europa, no Japão e nos Estados Unidos. A conquista da cidadania é uma luta diária."
Em quase 20 anos, os campeões de reclamações que chegam aos serviços de proteção ao consumidor são as empresas de telefonia e os estabelecimentos bancários. A concorrência acirrada entre as empresas de telefonia móvel criou uma disputa que só trouxe vantagens para os assinantes. No campo da telefonia fixa, no entanto, os serviços continuam deixando a desejar, pois as concessões permitiram que continuasse a existir um monopólio no atendimento, diz Dessaune. Na origem da incapacidade de satisfazer o público estaria, porém, tanto para os bancos, quanto para as empresas de telefonia, o grande número clientes que eles reúnem. "Bancos e telefônicas têm milhões de assinantes e correntistas. Não são centenas nem milhares de pessoas, são milhões mesmo. Há uma clara desorganização, eles não conseguem administrar serviços para essa quantidade imensa de consumidores. Então, acaba ficando economicamente mais vantajoso que paguem uma indenização aqui, outra acolá, do que resolverem problemas que afetam a essa clientela numerosa. Como atendem a tanta gente, nem sequer se incomodam com possíveis prejuízos à imagem", diz o advogado. O livro traz também um apêndice que o autor chamou de Código de Atendimento ao Consumidor - um guia com preceitos éticos das relações de consumo a partir de sua base em lei, que não vê o cliente como alguém sempre com razão, embora o favoreça na maioria das vezes. "É preciso que as pessoas se familiarizem com a legislação, para encontrar soluções de maneira civilizada. O fornecedor tem obrigação de conhecer a legislação, mas o consumidor também pode se mostrar mais ativo em prol de seus interesses." |
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8.1.09
Valor Econômico - Livros
| A era do triunfo da imagem | ||||||||||||||
| Por Olga de Mello, para o Valor, de São Paulo 09/01/2009 | ||||||||||||||
| I | ||||||||||||||
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17.11.08
Valor Econômico - Livros
Valor Econômico - Livros
| Informe-se o menos possível e enxergue o que de fato interessa | |||||||||
| Olga de Mello, para o Valor, do Rio 23/10/2008 | |||||||||
| I | |||||||||
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Alfarrábios - Valor Econômico, Teatro
| Company traz o clima da Brodway aos cariocas 08/02/2001 P0r Olga de Mello, do Rio Ainda computando o sucesso de "Cole Porter - Ele nunca Disse Que Me Amava", campeão de público na temporada carioca de 2000, com cerca de 50 mil espectadores em nove meses, Möeller, que assina a direção, e Botelho contam novamente com Cláudio Magnavita como produtor. |
| Confessando-se um admirador incondicional de musicais, Magnavita manteve-se distante de qualquer decisão no processo criativo da peça. "Crio condições para que cada um desempenhe sua função na montagem. Sempre me espantou o amadorismo da maioria dos produtores no Rio. Há uma pulverização de apoios que levam o patrocínio para o nível de mendicância", diz. |
| "O investimento cultural dá retorno, tanto que nossos patrocinadores são os mesmos de 'Cole Porter': apenas duas companhias, sem necessidade de lojas de tecidos ou restaurantes financiarem figurinos ou refeições. Se começarmos a produzir cultura profissionalmente, é possível tornar o teatro um atrativo turístico, como ocorre em Nova York, onde se deve à Broadway a permanência de visitantes por mais duas noites na cidade", completa. |
| Segundo Botelho, a Broadway pode se dividir em antes e depois de "Company", em razão das mudanças formais e estilísticas que criou, reconhecidas ao ganhar sete prêmios Tony em 1970. A história do solteirão Robert, que passa por dúvidas em relação a seu rumo de vida ao completar 35 anos, foi a junção de cinco peças de George Furth, entremeadas por canções de Sondheim, que discutem casamento, separações e relacionamentos. |
| "É um corte no tempo, a história se desenvolve durante um minuto dentro da cabeça do personagem. Robert se descobre sozinho em seu aniversário e pensa se deve se casar ou permanecer solteiro. Essa peça passou por tantas mudanças em sua concepção que acabou trazendo um novo gênero dentro do musical, o chamado 'concept musical', sem um enredo linear", informa Botelho. |
| A manutenção do título original não foi uma concessão ao apelo mercadológico do idioma inglês, esclarece. "A palavra companhia tem um sentido diferente em português. Para nós, ela remete a estar com alguém ou a uma empresa. Em inglês, ela também é sinônimo de grupo, de elenco. 'Rent' também não virou 'Aluguel' no Brasil", lembra Botelho, que interpreta Robert , à frente de 13 atores, entre eles sua principal parceira de palco, Cláudia Netto. Também participam de "Company" o coreógrafo Renato Vieira, o iluminador Paulo César Medeiros e o estilista Antonio Augustus, que assina os figurinos. |
23.9.08
Revista Aplauso Edição 95

Ensina-me a Viver
Glória Menezes comanda no palco uma celebração à vida
Um jovem mórbido que cultua a morte. Uma mulher às vésperas dos 80 anos, que celebra a vida a cada minuto. O encontro desses personagens antagônicos, que têm encantado platéias do mundo inteiro há três décadas, pode ser conferido pelo público carioca a partir de agosto na Sala Marília Pêra do Teatro Leblon, com Glória Menezes e Arlindo Lopes estrelando Ensina-me a Viver. Para o diretor João Falcão, o inusitado relacionamento entre o depressivo Harold e a anárquica Maude provoca discussões cada vez mais atuais: “Vivemos uma época em que empresas e hospitais promovem cursos de humanização para seus funcionários. A peça remete a reflexões sobre o prazer de viver com a maior intensidade possível, algo que muita gente esquece hoje em dia”.
Na década de 70, a comédia dramática Harold e Maude ganhou o mundo em seu formato cinematográfico, sob direção de Hal Ashby, com Bud Cord e Ruth Gordon nos papéis principais. Em 1982, Diogo Vilella e Henriette Morineau (mais tarde substituída por Maria Clara Machado) interpretaram o casal nos palcos cariocas. O texto do americano Colin Higgins conta a história de Harold, um rapaz rico e depressivo, que gosta de encenar diferentes formas de suicídio para chamar a atenção de sua mãe distante. Ao conhecer a exuberante e libertária Maude, Harold aprende a apreciar a natureza, as pessoas e o mundo.
“Viver Maude, um personagem tão rico e raro para atrizes na minha faixa etária é uma oportunidade única”, diz Glória Menezes, que se inspirou em uma tia-avó para compor a protagonista. “Minha tia era irreverente, casou-se com um homem mais jovem e jamais deu satisfações de sua vida para a família. Ela só não chegava a ser tão libertária quanto Maude, uma mulher solta no mundo, que, ao conhecer Harold, já contabilizava cinco ex-maridos. Combinei o dinamismo de minha tia com a doçura e a meiguice de minha avó Mercedes, outra mulher com uma forma muito especial de encarar o mundo”.
João Falcão e Arlindo Lopes não poupam elogios à atriz – e não apenas pela atuação como Maude. Creditam ao bom humor de Glória o clima alegre de trabalho. “Houve um entrosamento perfeito entre toda a equipe. Glória, certamente, é uma das responsáveis por isso, pois espalha energia positiva. Tê-la à frente do elenco é um privilégio. Sou admirador do trabalho dela em teatro, cinema e em televisão”, diz João Falcão.
Arlindo Lopes, idealizador do projeto, confessa a tensão que sentiu ao convidar Glória para o espetáculo. Ele havia adquirido os direitos da peça em 2003 e já tinha conseguido que João Falcão concordasse em dirigir. Sabia que Glória tinha interesse em interpretar Maude e que já pensara em produzir uma montagem. “Deu um frio na barriga, mas Glória não só aceitou como se tornou sócia na produção”. Era o início de uma bem-sucedida temporada de oito meses em São Paulo. O texto original, traduzido por Millôr Fernandes, não sofreu muitas alterações.
“É uma trama simples, mas que não ficou datada. O jovem Harold é soturno como muitos adolescentes de hoje, que parecem padecer de uma eterna inadequação à vida. Maude, ao contrário, é esfuziante como uma garota de 80 anos. O envolvimento amoroso entre os dois ainda causa espanto e até indignação, mas o que a peça mais remete é a indagações sobre o significado da vida através de Maude, uma mulher que domina a própria vida e também as platéias”, diz João Falcão. Glória Menezes concorda que o romance não é o ponto mais importante do enredo, e sim a possibilidade de transformação que todos deveriam permitir em suas vidas. “Qual jovem não gostaria de conviver com um adulto que vive de acordo com suas próprias regras? O personagem é simbólico, mas o público se identifica com essa mulher que decide até o dia de sua morte”, afirma Glória.
O fascínio que Maude exerce é constatado a cada espetáculo pela equipe. “Muita gente moça chega para nós e diz que querem envelhecer com a sabedoria dela. O mundo está cheio de jovens parecidos com o Harold e senhoras semelhantes a Maude”, acredita Arlindo Lopes.



